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terça-feira, 5 de julho de 2016

Sucralose em debate: O que devemos saber?

Considerando os vários comentários negativos sobre o adoçante sucralose recentemente veiculados nas mídias sociais, o Departamento de Nutrição da SBD vem se posicionar sobre a questão. Um artigo científico publicado em 2015 (1) por pesquisadores da Unicamp em um periódico online pertencente ao grupo Nature, alertou para os potenciais riscos do uso da sucralose, especificamente, em alimentos e sobremesas quentes, como chás, cafés, bolos e tortas. Os principais resultados do estudo indicam que, quando aquecido, o adoçante torna-se quimicamente instável, liberando compostos potencialmente tóxicos e cumulativos ao organismo humano.
Derivado da sacarose, o nosso açúcar de mesa, a sucralose é o adoçante mais consumido no mundo e liberado irrestritamente pelos principais órgãos de segurança alimentar, incluindo o Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, o Joint Expert Committee on Food Additivies (JECFA), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Brasil. No estudo em questão, foi demonstrado que, quando aquecida, a sucralose torna-se quimicamente instável, liberando hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados (HPACs), compostos tóxicos, cumulativos no organismo humano e potencialmente cancerígenos. Isso acontece por conta de uma reorganização das moléculas, quando elas são aquecidas. Os HPACs estão associados ao aumento da incidência de diversos tipos de canceres no homem. A exposição humana aos HPACs se dá principalmente através da contaminação ambiental por meio da fumaça gerada a partir da queima de combustíveis fósseis.
Estudos anteriores evidenciaram a hipótese de que a sucralose não seria adequada para processos que envolvem temperaturas acima 120°C, condições próximas das condições de pirólise. Verificou-se uma forte evidência de que hidrocarbonetos aromáticos policlorados (PCAHs) são formados a partir de sucralose a partir de temperaturas de água a ferver (acima de 98°C), que é a temperatura habitual alcançada quando são preparadas bebidas quentes, tais como café ou chá.
A sucralose foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) como um edulcorante de mesa em 1998, seguindo-se a aprovação como um adoçante de uso geral em 1999. Antes de aprovar o adoçante, a FDA revisou mais de 100 estudos de segurança realizados no edulcorante, incluindo estudos para avaliar o risco de câncer. Os resultados destes estudos não mostraram nenhuma evidência de que o adoçante cause câncer ou represente qualquer outra ameaça à saúde humana (2). A Ingestão Diária Aceitável (ADI) é de 0 - 15 mg / kg de peso corporal, segundo o resumo das avaliações realizadas pelo Comitê Misto Food and Agriculture Organization of the United Nations / World Health Organization (FAO/WHO) de Peritos em Aditivos Alimentares (3,4).
O Conselho Federal de Nutricionistas publicou um comunicado em fevereiro desse ano sobre a recomendação do uso de sucralose (4), destacando que esta foi sugerida para avaliação do Grupo Consultivo da International Agency for Research on Cancer (IARC), com alta prioridade, para estimativa de carga global do Câncer, no decorrer dos anos de 2015 a 2019 (5).
O estudo da Unicamp, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), não determinou a quantidade liberada de HPACs e o impacto direto da queima da sucralose no organismo humano. Muito há de ser elucidado para que isso passe a ser uma orientação clínica, sendo fundamental que mais pesquisas sobre o assunto sejam conduzidas.
A sugestão do Departamento de Nutrição da SBD é a prática de uma alimentação saudável, composta por alimentos menos processados, livres de aditivos, e caso seja indicado o uso de adoçantes artificiais em geral, estes devem ser consumidos com moderação e conforme indicado, respeitando um rodízio dos tipos de adoçantes existentes no mercado para não ocorrer grande exposição a uma só substância. Além disso, sobre a sucralose em questão, os estudos demonstraram a seguridade da mesma em produtos sem aquecimento térmico, sem tal polêmica quando utilizada em sucos, líquidos e outros alimentos em baixas temperaturas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

7 mitos e 5 verdades sobre o diabetes

No Brasil, cerca de sete milhões de pessoas, acima de 18 anos, têm a doença. Um estudo recente da Sociedade Brasileira de Diabetes, aponta que mais de 60% deles não sabem que têm a doença. Disfunção metabólica crônica decorrente de uma deficiência de insulina - hormônio produzido pelo pâncreas - que pode ser causada por fatores genéticos ou em decorrência de maus hábitos de vida como sedentarismo e uma dieta desequilibrada, recheada, principalmente de açúcar.
O problema pode trazer perda ou aumento de peso, é fator de risco para problemas cardiovasculares e, nos casos mais graves, provocar falência de órgãos (rins, olhos) e até a morte. Apesar dos perigos, é completamente controlável.
"É uma doença crônica e deve ser tratada como tal, mas com informação e mudança de hábitos, dá para ser controlada e ter qualidade de vida", explica a nutricionista Patrícia Ramos, coordenadora do Hospital Bandeirantes. Pensando nisso, o MinhaVida conversou com especialistas para descobrir os mitos e verdades do diabetes para facilitar a vida de quem convive com a doença.  

1.Diabetes é contagioso

Mito: o diabetes não passa de pessoa para pessoa. É preciso acabar com essa discriminação de que o diabético não pode ter emprego, amigos e vida social. O que acontece é que, em especial no tipo 1, há uma propensão genética para se ter a doença e não uma transmissão comum. "Temos exemplos de mães diabéticas que tem filhos totalmente saudáveis", explica a nutricionista. 

2.Canela ajuda a controlar o diabetes

Mito: não tem nenhum estudo científico que comprove isso. Existem alguns estudos em relação à canela, porém são estudos preliminares, que merecem mais esclarecimentos para provar esse efeito satisfatório. "É melhor não seguir nada que não seja comprovado, afinal, trata-se de um problema crônico e qualquer descuido pode piorar a situação", diz a nutri.   

3.Diabético pode consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana sem problemas

Mito: apesar de naturais, estes alimentos tem açúcar do tipo sacarose, maior vilã dos diabéticos. "Hoje, os padrões internacionais já liberam que 10% dos carboidratos ingeridos podem ser sacarose, mas sem o controle e a compensação, os níveis de glicose podem subir e desencadear uma crise", explica Patrícia. "O diabético até pode consumir, mas ele deve ter noção de que não pode abusar e compensar com equilíbrio na dieta", continua.

4.Alguns alimentos ajudam a controlar os níveis de glicose no sangue auxiliando o tratamento do diabetes 
 Verdade: Sim. Isso por conta do Índice Glicêmico (IG) dos alimentos. Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose pelo sangue e, portanto estabiliza a doença. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue. "Alimentos integrais, iogurtes sem açúcar, maçã, pera, feijão, lentilha e manga, podem ser considerados indutores deste controle, por isso ajudam a amenizar os sintomas da doença, já os de alto índice, como batata e demais carboidratos, aumentam o problema", continua 

5.A aplicação de insulina causa dependência química

Mito: a aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica. O hormônio é importante para permitir a entrada de glicose na célula, tornando-se fonte de energia. "No caso dos pacientes com diabetes tipo 1, não tem jeito eles são insulino-dependentes, e não porque ela cause esta dependência, mas pelo fato de sua deficiência ser crônica desde o nascimento", explica Patrícia.
"Não se trata de dependência química e sim de necessidade vital. Você precisa da insulina para sobreviver, mas não é um viciado na substância", explica o endocrinologista e presidente da Associação Nacional de Apoio ao Diabético (Anad), Fadlo Farige. 

6.Deve-se substituir o açúcar dos alimentos por adoçante

Verdade: os adoçantes foram feitos exatamente para os diabéticos ou para quem está de dieta, porém, para pessoas que não têm nenhuma disfunção, existe um limite para seu uso. "O valor diário recomendado de aspartame, por exemplo, é 40 mg por kg, já no ciclamato, este número é bem menor, 11 mg", explica a nutricionista.  

7.Dá para evitar a insulina se você não ingere carboidratos

Mito: neste caso, depende. O carboidrato eleva a glicemia com mais rapidez, por isso sua ingestão deve ser controlada. "No diabetes Tipo 1, é necessária a aplicação de insulina diariamente, já que o pâncreas não produz este hormônio. Portanto, mesmo que não coma carboidratos, precisará aplicar insulina. No caso do diabetes Tipo2, a ingestão da insulina vai depender do nível de glicemia. Se estiver controlado, pode-se parar o uso, porém, só um médico poderá fazer esta avaliação", explica Patrícia.  

8.Não é permitido ingerir bebidas alcoólicas 

Verdade: "o consumo é permitido, mas com alguns cuidados: de forma moderada e sempre junto a uma refeição, pois o consumo isolado pode levar a hipoglicemia (baixa nas taxas de glicose sanguínea) ou dificultar a recuperação de uma crise hipoglicêmica, já que o uso de insulina e de outros medicamentos para controlar o diabetes é feito para baixar a glicemia, e o álcool tende a diminuir ainda mais estas taxas, o que pode levar a um quadro crônico", explica a nutricionista. 
Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas. Para Fadlo Fraige, apenas as bebidas destiladas são permitidas (e com muita moderação), pois, segundo ele, não são feitas à base de carboidratos e o álcool tem baixo índice glicêmico. Já sobre as fermentadas, à base de glicose, o endocrinologista recomenda: "Cuidado com cervejas e bebidas doces ou à base de carboidratos. Elas têm alto índice glicêmico e podem trazer problemas. Ao contrário do que se imagina, as bebidas sem álcool são piores, pois, têm o carboidrato e não têm o álcool que ajuda a baixar a glicemia", explica o presidente da Anad.  

9.Bebida alcoólica pode porque o remédio para diabetes tem álcool e não faz mal

Mito: A taxa de álcool presente nos remédios são mínimas e, por isso, não dá para fazer esta comparação. "Bebidas alcoólicas são permitidas com restrições", diz a nutricionista.

10.Quem tem diabetes deve fazer somente exercícios leves

Verdade: diabéticos devem ser estimulados a fazer atividades físicas, respeitando contra-indicações, se houver. "De uma forma geral, os exercícios melhoram os níveis glicêmicos, porém, quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino, pode haver um quadro de hipoglicemia, por isso, deve-se fazer um monitoramento", diz a nutricionista. 

11.Estresse ajuda a descontrolar o diabetes

Verdade: quando uma pessoa fica nervosa, a sua taxa de glicose sanguínea sobe. "Mas isso não acontece só com diabéticos", diz Patrícia.

12.Diabéticos podem usar sauna e fazer escalda pés

Mito: Por ser uma disfunção metabólica o diabetes altera a circulação e compromete os vasos sanguíneos, dificultando o processo de cicatrização e pode causar problemas em diversas outras funções como problemas renais e o comprometimento da visão. "Em função desta alteração circulatória, os riscos de exposição à altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos", finaliza a Patrícia. 


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Saúde Alerta: Diabetes – O inimigo silencioso

Estima-se que cerca de 10% da população adulta brasileira sejam diabéticos. Segundo dados da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), 41% tomam medicamentos, 29% fazem apenas dieta, 23% não seguem nenhum tratamento e 7% são dependentes de insulina. Diabetes - O inimigo silencioso Diabetes – O inimigo silencioso O diabetes é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e entupimento de artérias, especialmente das pernas e pés, além de formação de aneurismas — dilatação de um vaso sanguíneo. Um estilo de vida saudável dificulta o aparecimento dos males que podem acometer as funções do coração.
O risco de sofrer um infarto aumenta 40% nos diabéticos homens e 50% nas mulheres que têm a doença. Quando a enfermidade se instala, potencializa outras condições de risco, como a pressão alta e o colesterol elevado. O diabetes é uma espécie de combustível perverso, difícil de ser removido e pronto para causar muitos problemas. O diabetes tipo II oferece mais risco para o aparecimento de doenças cardiovasculares. A má alimentação, falta de atividade física regular e de acompanhamento médico adequado são hábitos que devem ser modificados. Cuidados dietéticos protegem o pâncreas, e dessa forma evita seu esgotamento precoce quanto à capacidade de produção de insulina.
Embora o diabetes tipo I seja menos frequente e ocorra na infância ou na adolescência, a enfermidade está associada a um problema imunológico. O portador dessa categoria da doença precisa de insulina diariamente para controlar a glicose no sangue. Deve-se controlar o peso, praticar atividades físicas regulares, reduzir carboidratos, bem como realizar refeições em horários regulares, são atitudes que podem prevenir o diabetes tipo II, além de controlar definitivamente a doença e, consequentemente, garantir o bom funcionamento do coração. Entretanto, em alguns casos podem ser necessários medicamentos para controlar a glicemia do paciente. Além do paciente diabético ter mais risco de contrair doenças do coração, é necessário cuidado redobrado mesmo após o tratamento. Isso porque sempre haverá tendência de obstruções das artérias. É importante não procurar por ajuda apenas em momentos mais sérios, mas principalmente para prevenção de patologias. Se as doenças não forem evitadas, poderão trazer consequências muito mais graves à saúde. Diabetes e doenças cardiovasculares As doenças cardiovasculares estão entre as causas mais frequentes de morte no Brasil. Evitar o diabetes significa afastar essa ameaça. E não é difícil seguir esse caminho. Primeiro, é necessário avaliar a presença de fatores de risco, como tabagismo, excesso de gordura abdominal, hipertensão, sedentarismo, dieta pobre em fibras e história de diabetes na família. Quando esses fatores existem, o acompanhamento com um profissional de saúde promove uma melhora gradual no estilo de vida e reduz o risco de desenvolver a doença em cerca de 60%. Em pessoas com diabetes, a orientação ajuda a reduzir a gordura abdominal e a controlar melhor os níveis de pressão arterial, colesterol e glicose, diminuindo os riscos de infarto e de AVC. Aqueles que não desenvolveram nenhum fator de risco sabem: boa alimentação (rica em frutas, hortaliças (legumes e verduras), grãos integrais, produtos como leites e seus derivados desnatados) e exercício físico regular podem manter o diabetes longe. “Não deixe a diabetes colar em você”, prevenir ainda é o melhor remédio.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

influência dos ritmos circadianos no desenvolvimento de doenças metabólicas.

Na sociedade moderna, não é surpreendente que ocorra o desenvolvimento e/ou progressão de uma grande variedade de doenças advindas do desalinhamento nos ritmos naturais (com base no dia de 24 horas) incluindo doenças inflamatórias e metabólicas.
O relógio circadiano é um mecanismo que tem como principal função sincronizar o sistema endógeno em um período de 24 horas. Os ritmos circadianos são uma característica crítica e proeminente das células, tecidos e órgãos, que auxiliam o organismo a executar suas funções com mais eficiência. Além disso, os ritmos circadianos controlam uma variedade de processos biológicos, incluindo: ciclo do sono, temperatura corporal, secreção hormonal, função intestinal, homeostase da glicose e função imunológica (1).
O ritmo biológico é regulado pelo núcleo supraquiasmático (NSQ), localizado no hipotálamo. O NSQ é regulado por estímulos de células ganglionares da retina e é por este mecanismo que direciona os aspectos fisiológicos das fases clara e escura do ciclo. Os ritmos circadianos existem em quase todas as células do corpo e atuam como sincronizadores do sistema imunológico, do coração, do tecido adiposo, do pâncreas e do fígado (2).
Apenas alguns genes metabólicos são alvos diretos dos genes circadianos, esses alvos incluem muitos fatores de transcrição e alguns moduladores de transcrição e tradução. Dentre os genes controlados pelo ciclo circadiano, são incluídos fatores reguladores de lipídios, da biossíntese do colesterol, do metabolismo de carboidratos, da fosforilação oxidativa, e dos níveis de glicose (3,4).  
Um dos fatores ambientais que afetam seletivamente ritmicidade circadiana no intestino e no fígado é a alimentação. Quando a alimentação ocorre em períodos incorretos, podem ser observados desalinhamentos no ciclo circadiano interno, por exemplo, a restrição da alimentação resulta em desordem entre os ritmos centrais e periféricos, incluindo os localizados no fígado (5).
Estudos recentes sugerem que o desalinhamento crônico dos ritmos circadianos está diretamente relacionado com ganho de massa, obesidade e disfunções metabólicas. De fato, segundo Arble, roedores que se alimentaram em horários inapropriados ganharam mais massa quando comparados a animais que foram submetidos a uma alimentação regular (6,7). Este fenômeno também foi observado em seres humanos que não se alimentam logo pela manhã ou que possuíram padrões alimentares trocados entre dia e noite, resultando em maior ganho de massa frente aos que consumiram alimentos em períodos apropriados (8, 9).
Neste contexto, conclui-se que há uma crescente evidência, tanto experimental quanto epidemiológica de que o desalinhamento circadiano, por condições ambientais tais como ciclo claro/escuro e alimentação, interrompe os ritmos metabólicos e leva a alterações metabólicas, como obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Como saber se você é pré-diabético

A diabetes é uma síndrome metabólica caracterizada pela falta de insulina e/ou incapacidade do organismo em produzi-la. Hoje em dia, o tratamento para diabéticos é basicamente verificar regularmente o nível de açúcar no sangue e injetar-se com insulina para mantê-lo sob controle. A doença não tem cura, mas pode ser evitada – pelo menos no que se trata do tipo 2. Antes da diabetes tipo 2 se desenvolver, há quase sempre um período de pré-diabetes onde níveis de açúcar no sangue estão em uma zona de perigo acima do normal, mas abaixo do nível considerado diabético.
De acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, cerca de um em cada três adultos americanos são pré-diabéticos, mas apenas 11% das pessoas estão cientes de sua condição. Cura para diabetes? Cientistas induzem células embrionárias a fabricar insulina A pré-diabetes é séria porque muitas das consequências da doença – incluindo danos nos nervos, problemas oculares e doenças cardíacas – já começam no corpo antes mesmo do diagnóstico ser fechado. Sem intervenção médica, existe uma alta probabilidade de que a pré-diabetes evolua para a diabetes dentro de três a 10 anos. Fatores de risco A pré-diabetes muitas vezes não tem sintomas óbvios e pode ocorrer independentemente da idade, por isso é muito importante que você saiba monitorar seus números de glicose. Isto é especialmente verdadeiro se você tiver qualquer um dos seguintes fatores de risco para diabetes: – Sobrepeso ou obesidade; – Distribuição central de gordura em torno do abdômen (às vezes chamado de forma de “maçã”); – Histórico de diabetes gestacional; – Histórico de diabetes na família; – Histórico de níveis de açúcar no sangue elevados. Sintomas da diabetes Os sintomas da diabetes incluem aumento da sede, micção frequente, cansaço e visão turva. Portanto, se você está sentindo alguma dessas coisas, é melhor procurar um médico.
O que posso fazer para evitar que pré-diabetes evolua? Se você é pré-diabético, você pode fazer mudanças de estilo de vida para prevenir a progressão da doença reduzir o risco de outros problemas de saúde, como doenças cardíacas, derrame, colesterol alto e pressão arterial elevada. Uma pesquisa norte-americana mostrou que a perda de peso, a alimentação saudável e o aumento de atividade física muitas vezes pode retornar os níveis de açúcar no sangue a um nível ideal. Tente fazer algumas mudanças que você consiga sustentar, e consulte um clínico geral para acompanhar e manter os cuidados de saúde. Perda de peso Mesmo se você não chegar ao seu peso “ideal”, perder apenas 5 a 9 kg pode reduzir a probabilidade de a doença progredir. Dieta saudável Escolha alimentos que são baixos em gordura saturada e calorias e ricos em fibras, como vegetais, frutas e grãos integrais. Exercício físico Incorpore em sua rotina algo entre 30 a 60 minutos de atividade física moderada na maioria dos dias da semana. Você também pode quebrar o seu exercício em segmentos mais curtos ao longo do dia. A causa e a cura da diabetes podem estar na sua barriga
Durma bem A mesma pesquisa sugere que pelo menos seis horas de sono a cada noite pode ajudar a reduzir a resistência à insulina. Se o seu sono é perturbado pelo ronco alto ou você acorda com falta de ar, pode estar passando por apneias do sono, uma condição de saúde grave que pode piorar a pré-diabetes. Tome os medicamentos corretos Alguns medicamentos para diabetes são prescritos para pacientes com pré-diabetes para evitar a condição de progredir. Procure um médico Se você desconfia que está com pré-diabetes, procure um médico para sanar essa dúvida. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Diabetes tipo 2 tem cura?

 


O diabetes é uma doença que afeta cerca de 14 milhões de Brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes. E, além de ser muito comum, suas complicações são bastante temidas: amputações, hemodiálise ou perda da visão, além de infartos ou derrames. Diante da gravidade do problema, é natural que busquemos incessantemente a cura da diabetes. Mas será que realmente a diabetes tem cura?
Quando analisamos pela óptica da medicina, na realidade, o diabetes não tem cura. O que pode acontecer é que a pessoa passe a apresentar, durante ou depois de um tratamento, níveis controlados de açúcar no seu sangue, que podem até serem níveis normais. Mas, uma vez que a pessoa já foi diagnosticada com diabetes, ela será sempre diabética, bem controlada, mas terá que ter os cuidados e monitoramento regulares.
Muitas vezes, fala-se em cura do diabetes quando, no caso do diabetes tipo 2, se a pessoa desenvolve a doença devido ao aumento de peso e ela emagrece, os níveis de açúcar se normalizam, e isto muitas vezes é visto como cura. Aqui, é importante entendermos que o que acontece na verdade é um bom controle da doença, mas caso a pessoa volte a ganhar peso, muito provavelmente a doença voltará a dar sinais nos exames de sangue.
Além disso, o corpo sente em longo prazo os efeitos do açúcar elevado na corrente sanguínea, mesmo que este aumento seja por um período curto de tempo. Se uma pessoa teve o diagnóstico de diabetes e mudou seus hábitos, normalizando as taxas de açúcar em cerca de 3 meses, por exemplo, mesmo assim o seu corpo sentirá os efeitos desta descompensação no futuro, é a chamada memória metabólica do organismo.
Dessa forma, mesmo que o paciente diabético esteja com suas taxas de açúcar normais e não esteja tomando nenhum medicamento, os exames de rotina anuais como fundo de olho para avaliar a retina, microalbuminúria para avaliar o rim, controle da pressão e colesterol devem ser feitos.
Atualmente novas técnicas de transplante de pâncreas ou das ilhotas pancreáticas – que são as estruturas que produzem insulina – podem ser usadas para o tratamento do paciente diabético tipo 1, e menos comumente nos tipo 2. E mesmo assim, neste caso, com a total normalização dos níveis de glicose no sangue, o acompanhamento nos anos seguintes com os exames importantes para o diabetes deverá continuar a ser feito.
Muito também tem se falado sobre a cirurgia bariátrica promover a cura do diabetes. E aqui o raciocínio é o mesmo da perda de peso. Mesmo que um paciente diabético tipo 2 se submeta a cirurgia e pare de usar medicamentos, se seus níveis de açúcar ficarem normais, mesmo assim ele ainda, a rigor, continuará sendo diabético – bem controlado, mas diabético. Nestes casos os especialistas chamam de remissão da doença e não de cura.
Então, devemos desanimar? Claro que não! Na prática, para a qualidade de vida do paciente, a remissão do diabetes é tudo que um médico deseja para seu paciente. Quanto mais os níveis de glicose forem normais no sangue, menos complicações e maior qualidade de vida.

Diabetes, nutrição e sarcopenia

A sarcopenia é caracterizada pela perda progressiva da massa, força e/ou função muscular e está comumente associada ao processo de envelhecimento. Sua etiologia é multifatorial, sendo a alteração da síntese de proteínas, a proteólise, a redução da integridade neuromuscular e o aumento do processo inflamatório, alguns dos determinantes do aparecimento e da progressão desta condição clínica.
A má nutrição e o sedentarismo podem agravar o quadro, em especial em idosos com diabetes tipo 2. Os mecanismos envolvidos ainda não estão totalmente esclarecidos, mas diversos estudos têm identificado um maior declínio da massa muscular em idosos com diabetes, quando comparados com idosos sem a patologia.
Diversas estratégias nutricionais têm sido pesquisadas visando a promoção do anabolismo protéico e a prevenção da redução da massa muscular. Dentre elas, a adequação calórico-protéica da alimentação, somada em especial ao exercício resistido, tem sido a mais promissora.
Destaca-se que, além do aumento do tecido adiposo e da redução da massa muscular decorrentes do envelhecimento, outras alterações fisiológicas podem comprometer o estado nutricional desses indivíduos, tais como a diminuição da função gastrintestinal e da percepção sensorial (paladar, olfato, visão, audição e tato), associadas ou não à inabilidade física para aquisição e preparo das refeições.  Podem também ocorrer alterações no processo mastigatório, disfagia e a presença de doenças que interferem no apetite, no consumo e também, na absorção dos nutrientes.
Além do suporte calórico-protéico, outras abordagens alimentares na sarcopenia têm sido estudadas. É o caso da suplementação de leucina, vitamina D e creatina, conforme descrito a seguir:
Leucina
A leucina é um aminoácido de cadeia ramificada que tem sido considerado um farmaconutriente na prevenção e tratamento de diversas situações clínicas, como a sarcopenia e o diabetes tipo 2. Com a capacidade de inibir a proteólise e estimular a síntese proteica pela modulação de elementos que atuam na tradução da via de sinalização da insulina, a suplementação desse aminoácido tem sido estudada como estratégia no tratamento da sarcopenia.
Estudos recentes realizados em humanos, demonstraram que a co-ingestão de proteína hidrolisada e leucina em cada refeição principal melhora o controle glicêmico, atenuando a hiperglicemia pós-prandial em indivíduos com diabetes tipo 218. Em contrapartida, em estudo recente que avaliou a suplementação de leucina por 6 meses em 60 idosos com diabetes tipo 2, (dosagem de 2,5g - 3 vezes ao dia durante as principais refeições, totalizando 7,5g/dia) não foram observadas melhorias na sensibilidade à insulina e no controle glicêmico. Contudo, como crítica ao estudo, está o número reduzido de participantes e o fato destes apresentarem um consumo prévio de proteína dietética adequado, ou seja, dentro das faixas de recomendação para idosos com função renal preservada (0,8 – 1g de proteína/kg/peso)1.
As pesquisas direcionadas à sarcopenia são, em sua maioria, realizadas com a suplementação de leucina via oral (cápsula ou bebida industrializada). Como exemplos de alimentos ricos nesse aminoácido estão os ovos, carnes, peixes, soja, quinoa, leites e derivados.
Vitamina D
A deficiência de vitamina D está associada à redução da força e do anabolismo muscular. Em um estudo transversal em pacientes ambulatoriais com mais de 65 anos de idade, realizado na Suiça, Bischoff e col.19 encontraram uma correlação positiva entre a força muscular avaliada pela potência dos músculos extensores do joelho (LEP) e os níveis de 1,25-dihidroxivitamina D em homens e mulheres. Após ajustamento para idade, a LEP foi menor nos indivíduos com deficiência de vitamina D (25OHD< 30nmol/L). Além disso, a deficiência de vitamina D está envolvida na diminuição da secreção de insulina e no aumento da degradação muscular.
Creatina
A creatina tem sido amplamente estudada, tanto em adultos jovens como em idosos sarcopênicos.  Trata-se de um aminoácido encontrado no músculo esquelético e sintetizado endogenamente pelo fígado, rins e pâncreas a partir da glicina e arginina. Também pode ser obtido via alimentação, especialmente pelo consumo de carne vermelha e peixes. Sua principal função é o fornecimento rápido de energia durante a contração muscular, através de reação catalisada pela enzima creatina quinase. Além disso, a creatina influencia na regulação das células satélites e auxilia no aumento da força e da hipertrofia muscular, sendo eficiente em idosos ou pessoas acometidas por doenças degenerativas neuromusculares.
A suplementação de creatina está descrita nas recomendações da The Society for Sarcopenia, Cachexia and Wasting Disease, que ressalta a importância de serem realizados mais estudos a longo prazo com a população geriátrica. Além disso, grande parte das pesquisas não é direcionada a idosos com diabetes, sendo necessários mais estudos que assegurem tal aplicação terapêutica para esse público.
Considerando que a sarcopenia é uma das variáveis utilizadas para definição da síndrome de fragilidade, conferindo maior risco de quedas, fraturas, diminuição da capacidade funcional e mortalidade, a terapia nutricional contempla um importante papel na abordagem não farmacológica, juntamente com a atividade física. Um adequado controle glicêmico e as mudanças no estilo de vida são medidas essenciais para a prevenção e/ou reversão do quadro clínico quando instalado.

Vacinação pneumocócica no paciente diabético

As infecções pneumocócicas, incluindo pneumonia, bacteremia e meningite, são importantes causas de adoecimento e de morte em crianças com menos de 1 ano de idade, idosos e em indivíduos com doenças crônicas como diabetes mellitus. Além disso, outras doenças comumente presentes nos pacientes diabéticos também aumentam o risco de infecções graves pelo pneumococo, como doenças cardíacas e a insuficiência renal crônica. Logo, a vacinação contra oStreptococcus pneumoniae é uma importante estratégia no cuidado preventivo dos pacientes diabéticos, sendo tão importante quanto o cuidado com os pés, por exemplo. A seguir, as principais vacinas, suas indicações, calendário e eficácia.
O pneumococo possui uma espécie de barreira protetora, chamada de cápsula, que dificulta o ataque de nossas células de defesa no momento da infecção. As vacinas estimulam a produção de anticorpos contra a cápsula do pneumococo facilitando o trabalho do nosso sistema imunológico. Existem mais de 90 diferentes sorotipos de cápsulas, e as vacinas visam os mais frequentes. Atualmente, dois tipos de vacinas estão disponíveis.
A vacina pneumocócica polisacarídica 23 valente é recomendada para todo paciente diabético dos 19 aos 64 anos. Já nos pacientes com 65 anos ou mais, além da vacina 23 valente, a vacina pneumocócica conjugada 13 valente também está indicada. No caso dos pacientes com menos de 65 anos de idade, apenas casos específicos, como os imunocomprometidos, recebem a vacina 13 valente. Neste grupo de pacientes com problemas na imunidade, podemos incluir os renais crônicos e os nefróticos.
O calendário vacinal para as vacinas pneumocócicas no paciente diabético é o seguinte:
  • pacientes com menos de 65 anos: vacina pneumocócica 23 valente. Reforço após 5 anos.
  • pacientes com 65 anos ou mais já vacinados com a 23 valente: vacina 13 valente 12 meses após 23 valente.
  • paciente com 65 anos ou mais ainda não vacinados: vacina 13 valente primeiro. Após 6-12 meses, vacina 23 valente.
Diferentes estudos mostram que a vacinação, especialmente em indivíduos imunocomprometidos e em idosos, é capaz de reduzir pneumonias e infecções pneumocócicas invasivas, mas não mortalidade, podendo ser uma estratégia com boa custo-efetividade quando devidamente indicada. Apesar de existirem recomendações específicas para os pacientes diabéticos como vimos acima, ainda faltam dados relacionados à eficáfia e segurança neste grupo em particular.

domingo, 5 de abril de 2015

Frutose adicionada a alimentos colabora para o aumento da diabetes mellitus , de distúrbios metabólicos relacionados a esta patologia e ao maior risco cardiovascular.

Estudo coordenado por James J. DiNicolantonio, publicado no periódico  Mayo Clinic Proceedings, mostra que reduzir a ingestão de açúcares adicionados a bebidas e alimentos, principalmente a frutose, traduziria uma diminuição de morbidades relacionadas à  diabetes mellitus e uma redução na mortalidade prematura das populações.
Dados obtidos em experiências com animais e estudos humanos associam a adição de açúcares (por exemplo, sacarose e xarope de milho rico em frutose) ao desenvolvimento de  diabetes mellitus e distúrbios metabólicos relacionados ao aumento do risco para doenças cardiovasculares (CV).
Particularmente a adição de frutose (por exemplo, como um componente da sacarose adicionada ou como o principal componente de adoçantes ricos em frutose) pode representar o maior problema para a incidência de  diabetes mellitus, de distúrbios metabólicos ligadas à diabetes e ao risco cardiovascular.
Por outro lado, alimentos integrais que contêm frutose (por exemplo, frutas e legumes) não representam um problema para a saúde e protegem contra a diabetes e patologias cardiovasculares.
Várias orientações dietéticas recomendam o consumo de alimentos integrais ao invés de alimentos com adição de açúcares, mas algumas (por exemplo, as recomendações da  American Diabetes Association) não recomendam restringir os açúcares adicionados a qualquer nível específico contendo frutose.
Outras diretrizes (como a do Instituto de Medicina) permitem que até 25% das calorias venham de açúcares adicionados, como da frutose.
A ingestão de níveis tão elevados de frutose adicionada, sem dúvida, agrava o risco para o desenvolvimento de diabetes e de suas complicações.
Não há necessidade de adicionar frutose ou quaisquer açúcares à dieta; a redução da ingestão de 5% do total de calorias (o nível agora sugerido pela Organização Mundial de Saúde) mostrou melhorar a tolerância à glicose em seres humanos e diminuir a incidência de diabetes e de perturbações
metabólicas que frequentemente o precedem ou o acompanham.

sábado, 21 de março de 2015

Hipoglicemia pós-prandial: problemas com o diagnóstico

A hipoglicemia pós-prandial frequentemente gera dúvidas e erros tanto no diagnóstico quanto no seguimento dos pacientes. Talvez seja a condição endocrinológica mais incorretamente diagnosticada. A seguir, os equívocos mais comuns e qual a abordagem considerada correta a luz do conhecimento médico atual.
Equívoco 1: A hipoglicemia pós-prandial é uma doença comum.
Hipoglicemia pós-prandial é o descritor do momento em que ocorre a hipoglicemia (até 4 horas após uma refeição) e não uma doença propriamente dita. A hipoglicemia pós-prandial é causada por doenças pouco frequentes como síndrome pós-cirurgia bariátrica, intolerância hereditária à frutose, insulinoma ou síndrome pancreatogênica hipoglicêmica não-insulinoma. Já ouviu falar em alguma delas? Diversos pacientes que procuram assistência médica por sintomas que acontecem após a alimentação como ansiedade, fraqueza, tremor, sudorese ou palpitações, na realidade têm diagnósticos bem mais comuns como síndrome pós-prandial, transtornos de ansiedade, síndrome do intestino irritável, intolerâncias alimentares, até mesmo enxaqueca. Ou seja, além de pouco frequente a hipoglicemia pós-prandial é muitas vezes diagnosticada de forma errada.
Equívoco 2: A hipoglicemia pós-prandial é diagnosticada através de curvas de glicose e insulina.
Eis um erro muito frequente! O paciente sintomático é avaliado através de uma curva com diversas medidas de glicose e insulina coletadas após uma sobrecarga de carboidratos. Caso a glicose baixe ou a insulina suba, o paciente é taxado como hipoglicêmico. Isto está incorreto!
Diversos estudos mostram que até 10% das pessoas normais quando são submetidas a curvas após sobrecargas de açúcar apresentam quedas dos níveis de glicose até valores abaixo de 50 mg/dL sem prejuízo algum para a saúde. Além disso, as curvas têm pouca relação com os sintomas. Isto é, paciente com valores de glicose considerados normais ou altos podem ter sintomas e paciente com valores considerados hipoglicêmicos podem não ter queixa alguma. Outro ponto interessante é que em alguns pacientes os sintomas podem ser desencadeados por placebo, isto é, uma substância inerte, sugerindo um fundo emocional para o quadro. Por fim, dosagens de cortisol e adrenalina realizadas durante estas curvas não se mostraram alteradas durantes os sintomas, o que sugere que eles não sejam causados por hipoglicemia.
A maneira correta de se diagnosticar qualquer tipo de hipoglicemia é através da tríade de Whipple. Para que um paciente seja considerado hipoglicêmico deve apresentar três critérios: sintomas compatíveis, dosagem de glicose abaixo de 50 mg/dL no momento dos sintomas em laboratório (não vale teste de ponta de dedo) e melhora dos sintomas quando a glicose volta a subir. Geralmente um paciente com sintomas suspeitos de hipoglicemia é orientado a comparecer a um laboratório após uma refeição habitual e lá permanecer por até 5 horas. Caso haja sintomas, deverão ser coletadas amostras para glicose, insulina, peptídeo C e pró-insulina. Após esta coleta, são administrados carboidratos e se observa a resolução dos sintomas. Caso se confirme a hipoglicemia, o paciente deverá ser investigado para as causas específicas para poder receber o tratamento apropriado.
Equívoco 3: Pacientes com hipoglicemia pós-prandial devem restringir açúcares ou ficarão diabéticos.
Como exposto anteriormente diversos pacientes recebem o diagnóstico errado e, consequentemente, o tratamento também. Por exemplo, um paciente com transtorno de ansiedade deve ser encaminhado para acompanhamento psiquiátrico e não ter a dieta modificada. Os raros casos de hipoglicemia pós-prandial deverão receber o tratamento conforme a doença de base. Por exemplo, um paciente com insulinoma deverá operar o tumor do pâncreas, já que a dieta ajudará muito pouco no manejo dos sintomas.
Se você tem sintomas após as refeições ou recebeu diagnóstico de hipoglicemia pós-prandial ou reativa, procure um endocrinologista de sua confiança e faça uma revisão. Como vimos equívocos são frequentes e nem sempre as coisas são o que parecem ser.

Diabetes e intolerância ao glúten

“Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que toda a nossa vã filosofia.” Esta frase de William Shakespeare pode muito bem ilustrar o tema deste texto: intolerância ao glúten a diabetes tipo 1 estão relacionados?
Antes de tudo, é preciso explicar que a intolerância ao glúten, chamada de doença celíaca, é uma doença que acomete o intestino. Ela acontece porque o organismo da pessoa não reconhece a proteína do glúten e uma reação de defesa autoimune é desencadeada. O resultado é a destruição das células do intestino que são responsáveis por absorver os alimentos.
Os sintomas comuns da doença celíaca são diarreia e cansaço, e nas crianças, por não conseguirem absorver corretamente as vitaminas e sais minerais, pode ocorrer redução do crescimento e desenvolvimento. No entanto, uma parte das pessoas que tem doença celíaca é assintomática, isto é, não apresenta qualquer sinal ou sintoma da doença.
Foi observado que pacientes diabéticos tipo 1 apresentam mais chances de desenvolver doença celíaca, comparados com a população geral. Isso está relacionado ao fato de que o diabetes tipo 1 também é uma doença autoimune, ou seja, ocorre quando o próprio sistema imune da pessoa acaba destruindo as células produtoras de insulina, chamadas células Beta do pâncreas.
Mas por que existe essa associação? Aí está um dos mistérios do nosso organismo que estão sendo desvendados nos últimos anos através das pesquisas genéticas. Cada pessoa apresenta um código de reconhecimento para o sistema imunológico, que é chamado de complexo maior de histocompatibilidade, codificado através do nosso DNA. Em algumas pessoas esse código de reconhecimento está com alguma alteração e as células de defesa passam a enxergar as células do próprio corpo (como no caso das células beta do pâncreas) como inimigas e as atacam. Outras vezes, reconhecem alguns alimentos, como no caso do glúten, como inimigos e ocorre uma ativação do sistema inume. Ainda existe a possibilidade de quando o sistema de defesa entra em contato com alguns vírus, acontecer um reconhecimento deste vírus como algum código de célula que esteja codificado no complexo de histocompatibilidade, como uma reação cruzada.  A consequência é que o sistema imunológico passará a atacar o próprio corpo.
Dessa forma, a explicação para que as pessoas com diabetes tipo 1 sejam mais propensas a desenvolver doença celíaca é uma alteração justamente neste complexo maior de histocompatibilidade. Sabe-se que uma em cada 3345 pessoas no mundo terá doença celíaca sintomática, e uma a cada 200 ou 300 terá a forma assintomática. Já se estima que cerca de 2 a 10% dos pacientes com diabetes tipo 1 tenha alguma forma de doença celíaca.
Para os pacientes com diabetes tipo 1, é importante uma boa conversa com seu médico para avaliar a necessidade de pesquisar se a pessoa tem ou não doença celíaca. A principal modificação na dieta é a retirada do glúten, que está presente no trigo, cevada, centeio e aveia. A realização da dieta melhora a saúde geral da pessoa e permite que o controle do diabetes seja mais adequado. Alguns estudos até indicam melhora dos níveis de glicose no sangue com o controle do glúten na dieta daqueles que tem o diagnóstico de doença celíaca.
Para finalizar, é importante destacar que com o avanço dos estudos científicos, cada vez mais o tratamento do diabetes, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2, passa a abranger mais aspectos e a também avaliar o paciente cada vez mais de forma global. Muito já se foi e está sendo estudado e muitos mistérios ainda estão para serem descobertos.

Consumo excessivo de açúcar e diabetes: a polêmica revisitada pela OMS

Recentemente, a organização mundial da saúde (OMS) publicou novas diretrizes1 com recomendações para limitar o consumo de “açúcares livres”, ou seja, carboidratos simples que são adicionados artificialmente durante o processamento industrial dos alimentos. A OMS, em parceria com sua divisão de agricultura e alimentos (FAO – Food and Agriculture Organization), afirmam que o consumo de mais de 10% do total de calorias diárias na forma destes compostos pode levar ao aumento de obesidade, doenças não transmissíveis (diabetes, hipertensão, etc.) e cáries dentárias. Uma recomendação opcional é feita para limitar este total a não mais de 5%.
A associação entre ganho de peso e obesidade é já bem reconhecida, mas o papel do açúcar, consumido em quantidades cada vez maiores desde os anos 1970, como gerador de obesidade e diabetes ainda é assunto de grande controvérsia. Como o diabetes é popularmente conhecido como o aumento do “açúcar no sangue”,  é bem frequente o raciocínio dos pacientes de que um maior consumo de açúcar é o principal fator gerador da doença.
A confusão aumenta com o fato de que, na maioria dos estudos com grupos menores de pacientes, o papel do ganho de peso, seja este associado ao consumo excessivo de açúcar ou não, é o fator dominante para aparecimento de diabetes. Maior ainda, se associado ao sedentarismo. Fatores adicionais como história da doença na família, estresse, medicamentos e muitos outros podem modificar o risco individual. Assim, é corriqueiro que os médicos desmintam essa associação entre açúcar e diabetes, e passem a dar mais ênfase ao controle de peso e pratica de atividades físicas regulares.
Então, como conciliar essa visão com as preocupações da OMS? Uma possibilidade bastante plausível é a seguinte: do ponto de vista individual, muitos fatores altamente variáveis competem para o aparecimento do diabetes, sendo o ganho de peso aquele com maior preponderância. Por outro lado, várias pesquisas feitas com dados populacionais encontraram associação significativa entre maior consumo de açúcar e doenças crônicas, inclusive o diabetes. Um interessante estudo2 feito por pesquisadores da Califórnia avaliou dados de 173 países, provenientes de dados oficiais (urbanização, PIB per capita, industrialização, envelhecimento, incidência de diabetes) e da FAO (consumo alimentar de fibras, proteínas, álcool, açúcar refinado e outros), bem como sua evolução durante período de 2000 a 2010.
Após uma análise estatística cuidadosa e bastante repetitiva, o consumo de açúcar foi relacionado a maior incidência de diabetes, de forma independente da obesidade, sedentarismo e consumo de álcool. Tempo mais longo de exposição ao maior consumo de açúcar teve resultados semelhantes. Os autores tiveram ainda o cuidado de separar países onde o consumo de açúcar diminuiu durante o período, verificando que nestes a incidência de diabetes também caiu.
Ou seja, do ponto de vista mais coletivo, onde os fatores individuais são menos importantes, o consumo excessivo de açúcar pode aumentar o número de novos casos de diabetes. Diversos mecanismos metabólicos têm sido estudados nos últimos anos implicando o consumo de açúcar (principalmente aqueles ricos em frutose) com maior chance de ganho de peso, diabetes, esteato-hepatite não alcoólica, hipertrigliceridemia, aumento do ácido úrico e hipertensão. Enfim, todos os componentes da chamada síndrome metabólica.
Ou seja, como conclusão desta polêmica, pelo menos até o momento, podemos dizer que do ponto de vista individual de cada paciente, dentro do consultório, devemos continuar a atacar os fatores já consagrados: obesidade e sedentarismo. Porém, para uma estratégia preventiva eficaz, do ponto de vista coletivo e de saúde pública, talvez deveríamos dar maior atenção ao crescente aumento na adição de açúcares simples durante o processamento industrial dos alimentos, bem como ampliar os esforços em educação alimentar, visando uma escolha mais consciente daquilo que levamos do supermercado para dentro de casa.
Contra uma doença que se alastra rapidamente e em grande número, apenas com uma abordagem coletiva e maciça é que poderemos ter esperança de um futuro mais doce, mas no bom sentido.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Com 25 milhões de obesos, o Brasil está cada vez mais acima do peso


Desconhecimento sobre gravidade do problema ainda é um dos principais desafios apontados por uma pesquisa nacional
O brasileiro está cada vez mais pesado. Uma pesquisa nacional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, patrocinada pela Covidien, aponta que o número de obesos mórbidos praticamente dobrou em sete anos no país, saindo de 3,5 milhões, em 2007, para 6,8 milhões, em 2014. No ano passado, o Brasil tinha quase 25 milhões de obesos, o que representa 18,5% da população. Embora a faixa de sobrepeso tenha apresentado queda de 51% para 40% nos últimos anos, os pesquisadores afirmam que esses indivíduos migraram para as faixas de obesidade, não de normalidade de peso.
Os índices são alarmantes, segundo o coordenador da pesquisa, Luiz Vicente Berti, uma vez que o excesso de peso é um fator de risco para problemas circulatórios, ortopédicos e sociais. “A obesidade é a doença de maior impacto socioeconômico no mundo. E a tendência é piorar, porque não estamos tratando o tema com a devida importância”, ressalta Berti, que é presidente do conselho fiscal da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.
Segundo Berti, cerca de 60 mil cirurgias bariátricas são feitas por ano no Brasil, mais de 70% delas são pagas por convênios. “Só em São Paulo, 70% das pessoas dependem do SUS. No Nordeste, 90%. O SUS faz 9 mil cirurgias por ano. Vamos ficar anos com essas pessoas na fila”, contabiliza.
Além da fila de espera por cirurgias, o crescimento da obesidade traz um série de problemas como diabetes, pressão alta, que pode levar a enfartes, derrames e insuficiência renal, que aumenta a necessidade de diálise. “Sem falar nas próteses necessárias em casos de desgaste das articulações. Cada junção de um osso com outro, perna com pé, coxa com perna, vai sendo forçada com o excesso de peso e acaba se rompendo.”
Novo público
A obesidade atinge cada vez as camadas menos favorecidas economicamente. O estudo aponta que o acesso ao mercado de consumo contribuiu para o ganho de peso de maneira significativa na classe C. Já nas classes A e B, os índices de obesidade caíram. “Não adianta dar um pouco de dinheiro, a informação é muito importante. Não há acesso a saúde, os alimentos não são tão saudáveis e os hábitos de vida estão mais sedentários”, argumenta Berti.
Se de um lado o aumento do poder aquisitivo do brasileiro permite a aquisição de quase todo tipo de guloseimas nas gôndolas, de outro, hábitos de vida saudável ainda são pouco acessados pelas classes C, D e E. A pesquisa aponta que, enquanto 49% da classe A declara levar uma vida saudável, esse número cai progressivamente, chegando a 33% na classe E. Os índices de hábitos saudáveis são maiores entre indivíduos com peso normal e abaixo do peso (60%), no Sudoeste (50%) e entre homens (47%). Apenas 16% dos obesos mórbidos dizem praticar uma vida saudável. E 45% dizem que levam uma vida pouco saudável.
Sem cura, doença precisa ser prevenida
A diretora médica da Covidien, Carla Peron, conta que 1,2 mil brasileiros de todas as regiões foram entrevistados para a pesquisa.
Para ela, os dados mostram a necessidade de admitir que a obesidade é uma doença, não um estilo de vida escolhido pela pessoa. “A pessoa não é gordinha porque quer, porque come muito. É preciso de ajuda médica. Na contramão do que vemos hoje, é preciso dar mais acesso a um estilo de vida saudável.”
O médico Luiz Vicente Berti reforça que todos carregam o gene da obesidade, ou seja, engordar é uma questão de tempo. “Existem os sortudos, que comem de tudo e são magros, porque esse gene não funciona. Mas vemos uma progressão assustadora do sobrepeso para a obesidade. Atualmente, 60%, 70% dos leitos de hospitais são ocupados por doenças que poderiam ser evitadas.”
Para prevenir um colapso na saúde brasileira, Berti defende a necessidade de mudar os hábitos de vida, principalmente dentro de casa. Por exemplo: encher a geladeira de coisas não saudáveis e exigir que as crianças comam bem, não funciona. “A atividade física também é fundamental para queimar energia. Aos governos, cabe dar segurança para que eu leve meu filho ao parque, promover programas de boa alimentação e garantir informação.”
Além de campanhas de esclarecimento sobre graus de obesidade e seus riscos, diz Berti, também é importante garantir acesso a atendimento médico de qualidade. “Mais de 14% dos entrevistados já sofreram preconceito médico e 25%, na família. A academia também é um ambiente hostil ao obeso. O foco precisa ser a prevenção, porque obesidade não tem cura, tem tratamento”, afirma.

PerigoO que é obesidade mórbida
Um dos problemas destacados pela pesquisa é o desconhecimento sobre a obesidade e os seus graus. “Mais de 50% não sabiam o que era obesidade mórbida, diziam ‘sou só gordinho’, porque ainda tinha aquela visão de obesidade mórbida como o cidadão que os bombeiros precisam tirar de casa. As pessoas não sabem a gravidade do problema”, explica o coordenador do estudo, Luiz Vicente Berti.
Na pesquisa, o conceito de obesidade mórbida adotado é aquele em que o excesso de peso causa efeitos negativos para a saúde, como diabetes, pressão alta, derrames, artrites, varizes, infertilidade, além de problemas de ordem social, as “doenças da alma”. O índice de massa corpórea (IMC = peso [em quilos] ÷ altura² [em metros]) é um indicativo de obesidade – não o único, uma vez que não mede os graus.
O IMC mede a superfície corporal, explica Luiz Vicente Berti. Teoricamente, até 25, aponta peso normal, entre 25 e 30, sobrepeso, entre 30 e 35, obesidade grau 1, entre 35 e 40, grau 2, e acima de 40, obesidade mórbida clássica. “Mas teoricamente, porque um oriental com IMC 35 é mais grave que um americano com IMC 40. Então, ele não é balizador de gravidade da obesidade. Ele aponta, para a fonte pagadora, quem pode ou não operar.”